Só para minhas amigas
 
Maria Nogueira Martinelli
(Sapeka)
 
 
Hoje não vim falar do perfume das flores
Nem da melodia que ouço em noite de luar
Vim falar da angústia de sofrer os horrores
De um calinho danado o meu pé a machucar
 
 
Maldito sapato de couro, lindo ali em exposição
Numa vitrine charmosa, piscando para o meu pé
Foi um amor a primeira vista e dele nem abri mão
E o ordinário cretino me aperta, e ainda me dá chulé
 
 
Você ta rindo do quê? Isso nunca te aconteceu não?
Ter sua vaidade ferida por calinho safado a doer?
E como se não bastasse, cheirando a gambá fedentão
É muito constrangimento para um pobre pé padecer!
 
 
É minha culpa, máxima culpa não nego e vou me punir
Por me deixar levar pela vaidade e de cair em tentação
A cabeça não pensa o corpo padece pra poder se redimir
E hoje só por castigo eu me vingo, vou fazer depilação!
 
 
Quem sabe assim, de tortura em tortura eu aprendo
A não me deixar levar na luxúria que vem me arrasar
Não ria amiguinha, seja solidária, não vê que eu tento,
desfazer da vaidade e consumo que insiste em me tentar?
 

 

20/12/2003

 

 

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