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Prece no
inferno
Maria
Nogueira Martinelli
(Sapeka)
Solto as
feras incontidas nesse meu habitar
Lanço mão
do desejo de ira que me consome
Me traga,
inspira e me faz respirar desse ar
Denso,
nefasto, é asco que ainda me entope
De garras
fincadas na terra invoco uma prece
Que eleve
esse ódio incontido e faça o retorno
Benzendo o chão que bem sei ainda não cresce
O perdão
que se faz inerente como um estorvo
De palavras malditas que pairam na linha
Que
separam esse céu e inferno do meu criar
Que
invocam um Deus que em mim desatina
Essa fé
tão perdida na espera do mito salvar
Se
te solto no livre arbítrio desse meu habitar
Reconheça
o espaço e se faça em ti a escolha
De viver
desse ódio que vive a mim confinar
Ou
liberta a prece elevada ao céu que afronta
30/09/2006
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