ECOS DOS RELEVOS
 
Maria Nogueira Martinelli

(Sapeka)
 


 
Se existo não é por acaso

Vivo e morro desse mal

Se é origem, produto ou fracasso

Não se explica todo esse espectral.

 


Se embalo de lérias o sono profano

Com fantasmas a velar o sonho ateu

é por não deixar que a dor e desengano

se habituem na insônia desse breu.


 
 
Se da vida a certeza é a morte

Se a morte é na vida só um corte

Me lambuzo no banquete do viver.


 
 
É no verbo que decanto dor atroz

deixo o vento espalhar a minha voz

abafando todo eco nos relevos.

 

 

 

 

 

 

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