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Vôo da ilusão
Maria Nogueira Martinelli
(Sapeka)
Voei tão alto quanto pude alcançar
em asas frágeis na leveza de algodão,
e muitas vezes, com o vento a embalar,
deixei de guiar-me à voz do coração.
Sem ter pouso e descanso na distância,
fui seguindo desatenta à direção.
Solitária, sem dar muita importância,
deixei-me voar nessa falsa ilusão.
Fui tão alto ao alcance de uma estrela,
que, invejosa, fez a luz me ofuscar.
Asas feridas, e o brilho a me cegar.
Indefesa, fui ao chão angustiada.
E nessa queda eu pude perceber...
outras asas me fariam reviver.
Santos, 08 de março de 2008

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